terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Review de Saboteur


Review de Saboteur


História


Saboteur é passado na França ocupada pelos nazistas durante a Segunda Guerra. O protagonista é Sean Devlin, um piloto de carro de corrida irlandês, que se vê envolvido na luta pela resistência à ocupação nazista, enquanto busca vingança pessoal.

O enredo do jogo é bom o suficiente para o destacar da maioria dos jogos inspirados em GTA. Pra variar um pouco, controlamos um personagem bom, que procura fazer o que é certo, e não um bandido rumo ao topo do mundo do crime.




Conceito

O jogo consiste em Sean ajudando os envolvidos na resistência francesa, sejam eles franceses, ingleses ou espanhóis, cumprindo missões por alguns bairros de Paris. Há a possibilidade de cumprir missões paralelas, que ajudam outras facções da resistencia, ao invés de seguir pela história principal.

Você nunca se sente forçado a pegar alguma missão paralela que não queira, e normalmente essas missões são interessantes e servem para mudar um pouco o tema da matança e inserir bom-humor ao jogo. Em uma, por exemplo, um padre lhe pede para cuidar de um nazista que tem se confessado com ele a um tempo. Sean lhe pergunta o que ele precisa fazer para cuidar do nazista e o padre responde algo como "botar uma bala no meio da testa desse desgraçado, meu filho".

Além dessas missões, o jogo lhe apresenta com estruturas nazistas espalhadas pela cidade, como baterias anti-aereas, holofotes, alto-falantes, plataformas de observação e canhões. Você é incentivado a destruir essas estruturas, pois além de ganhar dinheiro ao fazê-lo, elas desaparecem do local, tornando fugas posteriores mais simples. É uma boa, ao se preparar para alguma missão maior, destruir algumas dessas torres de snipers das redondezas.

Apesar do incentivo e de ser genuinamente divertido explodir nazistas, depois de um tempo se percebe que há um numero absurdamente grande dessas estruturas espalhadas pela cidade, o que acaba desanimando um pouco.

Um aspecto do jogo que tenta ser um diferencial é que algumas missões mais importantes, liberam os bairros da ocupação nazista. Quando isso acontece, a cor naquela região é restaurada. Na prática, significa apenas que a presença nazista ali é mais esparsa, mas nada dramático.



Jogabilidade


Sean Devlin é um homem de muita habilidade. Além do habitual desse tipo de jogo, como o tiroteio, perseguições automobilisticas, sistema de cover e nao morrer ao cair n'agua, Devlin pode escalar os prédios à la Altair e Enzo de Assassin's Creed. Essa possibilidade dá uma outra cara ao jogo, abrindo os telhados como rota de fuga e lugares para se esconder. Mas, diferentemente dos seus colegas de Assassin's Creed, Sean não tem tanta facilidade e desenvoltura, mas nada que comprometa.

Muitos sabem que Saboteur foi o último jogo da Pandemic, pois a EA a fechou ao entregar esse jogo. Isso fica aparente em muitos aspectos da jogabilidade, principalmente na IA inimiga. O jogo passa uma impressão de falta de polidez. Por exemplo, ao passar por uma patrulha blindada estacionada, o carro nazista explode sem motivo algum, ou o soldado é atropelado sem o carro se mover. Os transeuntes também sofrem desse mal, com motoristas barbeiros e sem direção que muitas vezes ficam presos entre paredes. Chega a ser comico.

Mesmo assim o jogo consegue brilhar em seus momentos mais frenéticos. As missões principais criam situações tensas, e que lhe dão a possibilidade de aborda-las de algumas maneiras diferentes. O jogo deixa claro várias vezes essas possibilidades, e cria uma liberdade para mudanças durante as missões, conforme o jogador escolher. Um recurso interessante é o de poder se disfarçar de nazista para infiltrar melhor o local. Pra isso, basta derrubar um soldado sem atirar nele e roubar seu uniforme. Mas essa coerência não é encontrada no sistema de checkpoint nazista entre algumas áreas da cidade. Durante o jogo, você consegue documentos que permitem a passagem para outra área da cidade, como quando em GTA, as outras ilhas são liberadas através do conserto da ponte e etc. Toda vez que você quer passar de uma área a outra, tem que parar na cancela e mostrar os documentos ao guarda. Ele então abre o portão e você passa. Acontece que em diversos momentos da história, Sean se torna conhecido pelos nazistas, e destruir uma fábrica e assassinar os superiores, pra, ao fugir passar tranquilamente pelo checkpoint é um pouco forçado.

Mas o principal do jogo ainda é muito bem feito. O tiroteio não utiliza mira automatica, e nem precisa. Os tiros dão uma boa sensação de dano. O sistema de direção é muito bom também, permitindo pilotar em alta velocidade e com uma precisão razoável. Enfim, o miolo do jogo é bom.


Visual

Saboteur aposta na diferenciação através do uso de cores. Os ambientes ocupados são devidamente opressivos. Chove constantemente nesses lugares e sentimos a obrigação de liberar essas áreas da ocupação nazista. O interessante é notar que os nazistas tem uma iluminação em sua volta para ajudar a distingui-los, assim como as faxas vermelhas nos braços. Já a resistencia não tem o brilho, mas tem faixas azuis nos braços.

Quando liberamos uma área ocupada, uma explosão de cores invade a área e torna tudo mais belo e calmo, num efeito muito bom.

Técnicamente o jogo é mediano. Os personagens principais não são especialmente bem modelados, mas não incomodam. O visual remete bem a época, com seus carros e moda. Mas muitos bugs técnicos incomodam durante o jogo, diminuindo a imersão. Em compensação, alguns efeitos visuais dão algum charme ao jogo, como as lanternas dos carros que fazem sombras em tempo real nos objetos, ou o efeito da fisica nos soldados nazistas após uma explosão que os manda voando pelo ar.


Audio

A parte de audio do jogo é bastante inconsistente. Ao mesmo tempo temos os bons efeitos de explosões e tiros, e temos uma trilha sonora inofensiva, sem muito carisma. As musicas cansam depois de um tempo, principalmente as cantadas. Mas as que realçam a ação são bem melhores.

A dublagem do jogo também não é das melhores. Tirando o personagem principal, os outros tem sotaques horriveis, com destaque para o antagonista no fim do jogo.

Por algum motivo, as cutscenes tem o audio dos efeitos sonoros dessincronizados, o que quebra a imersão das boas cenas de ação.


Conclusão


Saboteur é um jogo divertido, principalmente pra quem gosta do estilo. Seu visual diferente e ambientação são os destaques, além da ação frenética e da possibilidade de escalar os prédios de Paris. A falta de polimento e bugs generalizados podem estragar a diversão de alguns, mas felizmente não há nenhum bug que torna o jogo injogável. Sua curta duração e falta de enrolação e missões sem sentidos ajuda bastante. Explodir nazistas é sempre muito prazeroso


Jogabilidade : 8
Visual : 7,5
Audio : 7
Longevidade : 6,5

Nota Final : 7,5

Um comentário:

Cosmão disse...

Esse jogo saiu pra X360 ? Me interessei, não fazia idéia de que era no estilo GTA e misturava coisas de Assassin's Creed, como escalar prédios. Bacana.